Semana Santa: semana de vitória e de vida

Cruz de S. Damião

Cruz de S. Damião

A igreja e toda a cristandade celebram mais uma vez a festa principal e razão de sua existência e nossa fé: a vida, morte e ressurreição de Cristo.

Contudo a semana santa celebrada pela Igreja, ao longo dos séculos, teve como roupagem a tristeza, baseado no sofrimento e morte de Jesus, o justo sofredor, e ao final dessa semana um grito de alegria e júbilo ressoava em todas as igrejas, celebrando a ressurreição de Cristo.

O cristão, homem de fé, não acredita na morte como fim, no sofrimento como meio de purificação, no Cristo sofredor; O cristão é um homem de fé, otimista pois acredita no Cristo sempre vivo, mesmo sofrendo, mesmo morto na cruz.  O grande exemplo desse Cristo crucificado, mas não derrotado e vivo, encontramos na representação do Cruz de São Damião.  Nesse crucifixo Cristo aparece de olhos abertos, sem coroa de espinhos e não ensanguentado. É o Cristo vencendo a morte e todo o sofrimento; é o Cristo ressuscitado, mas crucificado.

Não há outro Cristo crucificado representado vivo.

Por isso, ao celebrarmos essa semana, celebremos com o espírito da Páscoa; relembremos o Cristo sofredor, mas ressuscitado; celebremos o Cristo crucificado, mas vivo; celebremos o Cristo que venceu todas as limitações humanas, inclusive a morte. É o Cristo vencedor, otimista e que não se entrega. Nele a vida é eterna.

A semana santa é a síntese e essência do cristianismo.

FELIZ e ABENÇOADA PÁSCOA.

 

 

 

 

Quaresma: um convite à conversão

“Desde a quarta-feira de cinzas estamos vivendo o tempo da quaresma. Conforme o convite que nos foi feito na hora da imposição das cinzas, é tempo de fortalecer a fé no evangelho e converter-nos: “Convertei-vos e crede no Evangelho”!

 Em sua homilia no dia 05 de março, o santo Padre Francisco destacava as palavras do profeta Joel (2,13): “Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes”. Desta forma a liturgia da quarta-feira de cinzas nos introduz na quaresma, “indicando a conversão do coração como característica deste tempo de graça”. Esta conversão nos deve levar a abrir os olhos, os ouvidos e o coração para Deus e para os irmãos.

Para empreender o caminho da conversão, o Evangelho de Mateus (6,1-18) indica a oração, o jejum e a esmola. A quaresma, diz o papa, “é tempo de uma oração mais intensa, mais prolongada, mais assídua, mais capaz de fazer-se portador das necessidades dos irmãos, intercedendo a Deus por tantas situações de pobreza e sofrimento”.

A quaresma é tempo de jejum. O papa nos alerta que não podemos praticar um jejum formal que, “na verdade, nos deixa satisfeitos”. O jejum tem sentido “se verdadeiramente abala nossa segurança e nos ajuda a cultivar o estilo do bom samaritano que se inclina para o irmão em dificuldade e se ocupa com ele”. Comporta a decisão por “uma vida que não esnoba, uma vida que não descarta”.

O terceiro caminho da conversão é a esmola. “Ela indica a gratuidade, porque na esmola se dá a alguém de quem não se espera receber nada em troca”. Numa sociedade onde tudo é cálculo e medida, onde tudo é vendido e comprado, “a esmola nos ajuda a viver a gratuidade do dom, que é liberdade frente à obsessão de possuir, do medo de perder o que se tem, da tristeza de quem não quer repartir com os demais o próprio bem estar”.

Na mensagem para todos as comunidades cristãs, o papa afirma que a quaresma “é um tempo propício para o despojamento e nos fará bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar para ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza”. Não esqueçamos, diz o Papa, “que a verdadeira pobreza dói, e não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói”.

Aproveitemos estes dias de preparação para a Páscoa para revisarmos o nosso modo de viver a fé e seguir a Jesus Cristo. Façamos isso com os olhos voltados para Deus e o coração aberto para as necessidades das irmãs e dos irmãos. Não podemos ser seguidores de Jesus Cristo enquanto o nosso coração não se condoer com as pessoas que sofrem.

Com o Papa Francisco, peçamos a graça do Espírito Santo, para que ele “reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia”.

Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

In http://www.cnbb.org.br/outros/dom-canisio-klaus-1/13815-quaresma-um-convite-a-conversao

A morte de Frei Eckart H. Hofling

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FREI ECKART H. HÖFLING 
* 28/10/1936 + 01/03/2014

Faleceu na manhã de 1º de março,  às 7h25 (3h25, horário de Brasília), no Hospital Universitário de Frankfurt, na Alemanha, Frei Eckart H. Höfling. Internado na UTI, sua pressão arterial estava muito baixa nos últimos dias. Ele foi vítima de várias paradas cardíacas e fazia tratamento contra um câncer na bexiga. Há alguns anos, Frei Eckart fora submetido a cirurgia cardíaca para desobstrução de artérias, após infarto.

Dados pessoais, formação e atividades

· Nascimento: 30.10.1936 (77 anos de idade), em Langenprozelten/Main, Alemanha;
· Admissão ao Noviciado: 19.12.1960, em Rodeio, SC;
· Primeira Profissão: 20.12.1961 (52 anos de Vida Franciscana);
· Profissão Solene: 02.02.1965;
· Ordenação Presbiteral: 08.12.1966 (47 anos de Sacerdócio);
· 1962-1963 – Curitiba – Estudos de Filosofia;
· 1964-1967 – Petrópolis – Estudos de Teologia;
· 28.01.1968 – Nilópolis – Conceição – pastoral;
· 31.12.1969 – São Paulo – Pari – assistente das Irmãs Paroquiais Franciscanas;
· 15.01.1971 – São Paulo – São Francisco – assistente das Irmãs Paroquiais Franciscanas. Durante o ano de 1971, frequentou o CEFEPAL, em Petrópolis;
· 01.09.1972 – Petrópolis – diretor do CEFEPAL;
· 07.11.1984 – São Paulo – São Francisco – auxiliar no Economato da Província;
· 13.02.1987 – Rio de Janeiro – VOT – comissário do Hospital da VOT, por decreto do então Cardeal do Rio de Janeiro Dom Eugênio de Araújo Sales;
· 07.11.2003 – coordenador da Fraternidade da VOT;
· 05.2011 – Grosskrotzenburg – Alemanha – tratamento de saúde;

. + 01/03/2014 – Frankfurt (Alemanha)

Cf : http://www.franciscanos.org.br/?p=53347#sthash.1W4IOebW.dpuf

Quem conheceu e conviveu com Frei Eckart é testemunha de seu incansável e imensurável amor e dedicação por aquilo que assumia. Foi assim com o Cefepal, um centro franciscano de estudo, criado em Petrópolis e depois os 30 anos dedicado a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.

Assumiu a mantenedora VOT de S.Fco da Penitência no final de 1987, nomeado pelo então cardeal D. Eugênio Salles,  quase fechando as portas, como foi testemunhado por muitos funcionários. Entre suas obras destaca-se a reforma e ativação dos Lares S.Francisco, Sta Clara, Sta Izabel, Sto Antônio, término do prédio João Paulo II que se encontrava apenas na estrutura (2000), criação de 3 Ctis, criação e instalação do Instituto do Coração D. Eugênio Salles (2001), implantação de centros comunitários em Duque de Caxias e Vidigal, ampliação da Escola Pe. Fco da Motta e implantação do ensino médio através do curso Sonja Kill (2005), reforma do cemitério (2006) e restauração (término em 2001) da Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro, uma obra prima da arquitetura barroca. Talvez seu mérito maior foi a integração, congregação e união das várias atividades da VOT, através de celebrações (Páscoa, São Francisco, Natal) conjuntas, reunindo todos funcionários e crianças das creches e escola. Dizia: “a VOT atua em várias e diferentes áreas sociais, mas é uma só no ideal franciscano e no respeito ao ser humano, sobretudo ao pobre e à criança. A responsabilidade social desta instituição franciscana é secular”.

Tal trabalho foi reconhecido  pelo governo da Alemanha, quando em 25/04/2007  foi homenageado pela República Federal da Alemanha com a “ORDEM DO MÉRITO”, a mais alta honraria dispensada a um cidadão alemão, por serviços prestados em terra estrangeira. Recebeu a medalha e o documento assinado pelo presidente alemão Sr. Horst Kohler, pelas mãos do Consul Geral Dr. Stephan Krier.

Em 2008 (03/10) foi agraciado pelo conjunto de sua obra com a Quadriga, um dos mais prestigiosos prêmios da Europa, concedido anualmente a quatro personalidades ou instituições que se destacaram pelo seu trabalho em prol da união, da paz e da mudança.

– “É uma grande honra receber um prêmio que já homenageou figuras ilustres como Gerhard Schröder e a rainha Silvia. Cuidar daqueles que precisam, fornecendo educação às crianças e profissionalização aos adultos, é a bandeira da minha vida, para a qual dedico toda a minha fé, tempo e energia. Mais do que um reconhecimento, essa premiação é um grande estímulo para que eu continue com mais entusiasmo ainda o meu trabalho” (Frei Eckart Hermann Höfling).

Que Deus, a Imaculada Conceição, venerada por ele, São Francisco, o seu guia e todos os Santos o acolham na vida eterna pelo seus atos de bondade e amor.

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Cf. tb:

http://www.youtube.com/watch?v=NYMmMyvfiD0

 

2013: A ESPERANÇA RENASCE NA IGREJA

 

BoffNO MEIO  DO MAL-ESTAR MUNDIAL HÁ LUGAR PARA A ALEGRIA

No meio do inegável mal-estar mundial, irrompeu, surpreendentemente,  neste ano (2013), uma figura que nos devolveu esperança, alegria e gosto pela beleza: o papa Francisco. Seu primeiro texto oficial leva como título Exortação pontifícia ‘Alegria do Evangelho’ . Ele vem perpassado pela alegria, pelas categorias do encontro, da proximidade, da misericórdia, da centralidade dos pobres, da beleza, da “revolução da ternura” e da “mística do viver juntos”.

Tal mensagem faz o contraponto à decepção e ao fracasso face às promessas do projeto da modernidade de trazer bem-estar e felicidade para todos. Na verdade está colocando o futuro da espécie em risco por causa do assalto avassalador que continua fazendo sobre os bens e serviços escassos da Mãe Terra. Bem diz o papa Francisco: “A sociedade técnica multiplicou as possibilidades de prazer mas tem  grandes dificuldades de engendrar alegria” (Exortação, n.7). Prazer é coisa dos sentidos. Alegria é coisa do coração. E nosso modo de ser é sem coração.

Essa alegria não é de bobos alegres, que o são sem saber por quê. Ela brota de um encontro com uma Pessoa concreta que lhe suscitou entusiasmo, lhe produziu enlevo e simplesmente o fascinou. É a figura de Jesus de Nazaré. Não se trata daquele Cristo coberto de títulos de pompa e glória que a teologia posterior lhe conferiu. Mas é o Jesus do povo simples e pobre, das estradas poeirentas da Palestina, que trazia palavras de frescor e de fascínio. O papa Francisco testemunha o encontro com essa Pessoa.  Foi tão arrebatador que mudou sua vida e lhe criou uma fonte inesgotável de alegria e de beleza. Para ele, evangelizar é refazer esta experiência, e a missão da Igreja é resgatar o frescor e o fascínio pela figura de Jesus. Evita a palavra já feita oficial de “nova evangelização”. Prefere “conversão pastoral” feita de alegria, beleza, fascínio, proximidade, encontro, ternura, amor e misericórdia.

Que diferença com os seus predecessores de séculos! Apresentavam um cristianismo como doutrina, dogma e norma moral. Exigia-se adesão irrestrita e sem qualquer laivo de dúvidas,  pois  gozava das características da infalibilidade.

O papa entende o  no cristianismo não uma doutrina mas um encontro pessoal com Cristo

O papa Francisco entende o cristianismo em outra chave. Não é uma doutrina. É um encontro pessoal com uma Pessoa, com sua causa, com sua luta, com sua capacidade de enfrentar as dificuldades sem fugir delas. Agradam sobremaneira as palavras contidas na Epístola aos Hebreus, na qual se diz que Jesus “passou pelas mesmas provações que nós… que foi cercado de fraqueza… que entre clamores e lágrimas suplicou àquele que o  podia salvar da morte e que não foi atendido em sua angústia”, consoante os estudos de dois grandes sábios nas Escrituras — A. Harnack e R. Bultmann — que dão essa versão no lugar daquela que está na Epístola (“e foi atendido em sua piedade” — eusebeia  — em grego, que pode significar, além de piedade, também angústia)…“que teve que aprender a obedecer mediante o sofrimento” (Hebreus 4,15; 5,2.7-8).

Na evangelização tradicional tudo passava pela inteligência intelectual (intellectus fidei) expressa pelo credo e pelo catecismo. Na Exortação, o papa Francisco chega a dizer que “aprisionamos Cristo em esquemas enfadonhos…e assim privamos o cristianismo de sua criatividade”(n.11). Em sua versão, a evangelização passa pela inteligência cordial (intellectus cordis), porque aí têm sua sede o amor, a misericórdia, a ternura e o frescor da Pessoa de Jesus. Ela se expressa pela proximidade, pelo encontro, pelo diálogo e pelo amor. É um cristianismo-casa-aberta para todos, “sem fiscais de doutrina”, e não uma fortaleza fechada e intimidada.

Pois é desse cristianismo que precisamos, capaz de produzir alegria, pois tudo o que nasce verdadeiramente de um encontro profundo e verdadeiro gera a alegria que ninguém pode tirar. É como a alegria dos sul-africanos no sepultamento de Mandela: nascia do fundo do coração e movia todo o corpo.

Falta-nos em nossa cultura mediática e internética esse espaço do encontro, do olho  no olho, de cara a cara, da pele a pele. Para isso temos que realizar “saídas”, palavra sempre repetida pelo papa. “Saída” de nós mesmos para o outro, “saída” para as periferias existenciais (as solidões e os abandonos) “saída” para o universo dos pobres. Essa “saída” é um verdadeiro “Êxodo” que trouxe alegria aos hebreu livres do jugo do faraó.

Nada melhor que lembrar o testemunho de F. Dostoiévski ao “sair” da Casa dos Mortos na Sibéria: “Às vezes, Deus me envia instantes de paz; nestes instantes, amo e sinto que sou amado; foi num desses momentos que compus para mim mesmo um credo, onde tudo é claro e sagrado. Esse credo é muito simples. Ei-lo: creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais humano, de mais perfeito do que o Cristo; e eu o digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se encontra nele, prefiro ficar com Cristo a ficar com a verdade”.

O papa Francisco faria suas estas palavras de Dostoiévski. Não é uma verdade abstrata que preenche a vida, mas o encontro vivo com uma Pessoa, com Jesus, o Nazareno. É a partir dele que a verdade se faz verdade. Se 2014 nos trouxer um pouco desse encontro (chamem-no de Cristo, de o Profundo, o Mistério em nós, de o Sagrado de todo o ser), então teremos cavado uma fonte donde jorra alegria, que é infinitamente melhor do que qualquer prazer induzido pelo consumo.

Leonardo Boff (teólogo e filósofo)

In http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2013/12/30/no-meio-do-mal-estar-mundial-ha-lugar-para-a-alegria/#

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